Gripe aviária e Biosseguridade

Introdução:

Agente etiológico

A Gripe Aviária, também conhecida como Influenza Aviária, é uma enfermidade viral infectocontagiosa. Da família Orthomyxoviridae, existem 3 tipos de vírus dentro do gênero Influenzavírus: A, B e C. Dentre eles, o tipo A, de maior relevância por estar envolvido nas principais epidemias do mundo, pode acometer aves e mamíferos - suínos, equinos e humanos.

De característica ubíqua, o Influenzavírus A é classificado de acordo com as estruturas glicoproteicas que se projetam a partir do envelope viral: hemaglutinina (H) e neuraminidase (N). Existem 16 tipos de hemaglutininas e 9 tipos de neuraminidases. Assim, a nomenclatura viral, HXNX, é baseada de acordo com sua antigenicidade, permitindo aos vírus poderem ser caracterizados com diferentes combinações.

Histórico

Todas as epidemias e isolamentos de alta patogenicidade foram encontrados estirpes dos subtipos H5 e H7. Nos EUA, na década de 80, levou mais de 2 anos para ser erradicada e acumulando um prejuízo de aproximadamente US$ 75 milhões e mais de 17 milhões de aves sacrificadas. Um dos casos mais recentes no país ocorreu em 2014/15 com o tipo viral H5, acumulando prejuízo de US$ 1 bilhão.

Surtos da epidemia também ocorreram na África do Sul, acometendo avestruzes com o subtipo H5N2. Na década de 90, países como a Alemanha, Itália e Irlanda também sofreram com o impacto da doença em galinhas. Em todos estes casos foram isolados o subtipo H9N2.

Desde 1997, o subtipo H5N1 vem sendo isolado em mais de 50 países. Neste caso, a cepa viral infectou também humanos, culminando na morte de mais de 200 pessoas, e 210 milhões de aves mortas ou abatidas por medidas de contenção.

Em 2012/2013, o México viveu uma epidemia da doença que afetou principalmente aves poedeiras. Foram aproximadamente 25 milhões de aves mortas em 2012 na região de Jallisco. A estirpe viral encontrada foi a H7N3, de alta patogenicidade.

O último caso, já em 2017, ocorreu no Chile, onde dois focos da enfermidade afetaram lotes de perus, na zona rural de Valparaíso, próxima a capital, Santiago. Resultados da análise laboratorial confirmaram que o tipo H7 de baixa patogenicidade é o agente etiológico. Apesar de não causar mortalidade nos animais, mais de 35 mil aves foram abatidas por medidas de contenção.

Em virtude do caso, no Brasil, foram proibidas visitas à campo de clientes e fornecedores das agroindústrias por um período, à princípio, de 30 dias.

Impacto

A Influenza Aviária Altamente Patogênica (HPAI) faz parte da lista A do Código Zoosanitário Internacional da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Isso se deve a dois fatores principais: a taxa de mortalidade e impacto econômico. A mortalidade pode chegar a 100% em um plantel em até 48 horas, dependendo da estirpe viral e espécie acometida. O impacto econômico se caracteriza por restrições comerciais e embargos econômicos, como a proibição da exportação.

Alguns estudos realizados mostram que o impacto da HPAI, como H5N1 no Brasil, seria devastador, sendo difícil calcular os prejuízos em diferentes cenários. Além da proibição da exportação, mortalidade das aves e dos gastos envolvendo o controle, fiscalização e limpeza, a experiência de alguns países que vivenciaram a epidemia de Influenza demonstraram que há uma queda acentuada no consumo interno de carne e ovos, apesar de não haver evidencias científicas a respeito disso.

No Brasil a doença ainda é considerada exótica. Entretanto, para mantermos o status de país livre ainda há muito trabalho a ser feito. A união dos diferentes setores da cadeia avícola é primordial para estabelecer medidas de controle eficazes para a contenção da epidemia. O setor público (Ex. MAPA e Ministério da Saúde), e o privado, como as agroindústrias integradoras, deverão somar forças para combater e erradicar a doença em caso de surto ou epidemia.

Medidas de Controle e Prevenção

Vacinas

No mercado existem vacinas vivas recombinantes, vacinas de DNA e inativadas. Entretanto, a existência de um grande número de subtipos e tamanha capacidade de replicação e mutação viral, constitui um sério problema para o desenvolvimento de vacinas efetivas. Apesar do avanço no desenvolvimento das vacinas sua utilização não induz a uma resposta imunológica confiável, a ponto de imunizar 100% o plantel, porém elas existem e podem auxiliar no combate à doença.

Biosseguridade

Assim, em caso de risco de surto ou epidemia da doença, é importante focarmos em medidas de controle e prevenção. Neste contexto, surge uma palavra-chave de extrema importância denominada Biosseguridade. Algumas medidas neste sentido já foram tomadas pelos órgãos públicos competentes, como a Criação do Plano Operacional de Prevenção à Influenza Aviária, amparada no Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA), que dentre outros itens, cita:

-Suspensão, por tempo indeterminado, da importação de aves, seus produtos e subprodutos de países afetados pela doença;

-Intensificação das medidas de vigilância para aves e produtos avícolas importados;

-Atualização do cadastro georreferenciado das propriedades de criação avícola industrial e de aves de subsistência, conforme IN56 do MAPA;

-Realização de um estudo de vigilância ativa para conhecimento prévio do status sanitário do plantel avícola nacional, realizado em aves de sistemas industriais e de criação de subsistência;

-Realização de inquéritos soroepidemiológicos em aves migratórias.

O MAPA, através da IN56, de 04 de dezembro de 2007, coloca pontos importantes para registro, fiscalização e controle de estabelecimentos avícolas. Um dos artigos da IN cita que as instalações avícolas devem conter telas antipássaros de malha fina inferior a 1 polegada de diâmetro, com exceção de galpões de postura comerciais no estilo californiano. Além disso, devem ser construídas com materiais que permitam fácil limpeza e desinfecção.

Outras medidas de prevenção implantadas se encontram no link abaixo:

http://www.canalrural.com.br/noticias/rural-noticias/gripe-aviaria-chegada-brasil-questao-tempo-diz-governo-65671

Dentre os quatro pilares que sustentam a Biosseguridade há dois pontos fundamentais para controle e erradicação da Influenza Aviária: o primeiro é o controle de fluxos e o outro limpeza e desinfecção:

-Controle de fluxos: em casos de surtos e epidemias os animais devem ser abatidos imediatamente, o controle de pessoas e veículos deve ser restrito e a propriedade deve ser interditada, criando-se a zona de proteção e zona de vigilância. É importante como medida preventiva, a obrigatoriedade de banhos, troca de roupas e calçados na entrada e saída das propriedades.

-Limpeza e desinfecção: Instalações, portos, aeroportos e fronteiras devem implantar sistemas rígidos de desinfecção. Para isso, deve-se utilizar um produto eficiente no combate ao agente. Um aspecto fundamental na escolha dos produtos para limpeza e desinfecção é avaliar se o desinfetante possui ação viricida.

Sabe-se que é um agente de rápida difusão, e um dos principais meios dessa difusão viral é por veículos automotores e fômites contaminados. Dessa forma, além da desinfecção das instalações, o desinfetante deve ser aplicado sob veículos via arcolúvios ou rodolúvios, também conhecidos como arcos de desinfecção.

Inúmeras granjas pelo Brasil não possuem ou não utilizam tal ferramenta extremamente importante no combate à difusão da doença. O desinfetante escolhido deve apresentar laudos e testes de eficiência laboratoriais de instituições reconhecidas.

A THESEO SAÚDE ANIMAL, especialista em Biosseguridade, conta com o desinfetante TH4+, de ação viricida e não mancha os veículos desinfetados. O produto possui 25 anos de experiência internacional e vários laudos laboratoriais comprovando sua eficácia contra várias estirpes do Influenza vírus, inclusive da estirpe altamente patogênica, H5N1, e outras cepas, como mostra a tabela abaixo:

Conclui-se que o TH4+ inativa estirpes do Influenza vírus em concentrações a 0,1% ou 0,5%, mostrando forte eficácia contra a Gripe Aviária.

Vias de aplicação:

Conclusão

Todo o esforço é válido contra a entrada da enfermidade no país. Tanto os poderes públicos como instituições privadas, devem somar forças no combate à doença. Em casos de surto ou epidemia, deve-se implementar as medidas de contenção o mais rapidamente possível para barrar a difusão do patógeno.

Apesar de todo o esforço não há garantias de que o país em um futuro próximo ou distante seja livre da doença, pois há fatores incontroláveis que também são responsáveis pela difusão viral, caso das aves aquáticas migratórias, reservatórios naturais do vírus da Influenza que possuem como rota de migração o Brasil. Portanto, a chegada da doença ao Brasil é questão de tempo.

Maurício Schiavo Marchi - MV - Assistente Técnico Comercial THESEO SAÚDE ANIMAL

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